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Troponina e Tropomiosina


O filamento fino é composto por três proteínas, a actina, a troponina e a tropomiosina. A actina é a molécula central, que polimeralizada forma uma dupla hélice e contém os sítios de ligação com a miosina. A tropomiosina é uma molécula presa à actina de forma espiralada sobre a dupla hélice. A tropomiosina impede a ligação actina/miosina bloqueando o sítio de ligação. A troponina fica presa à molécula de tropomiosina, e possui três subunidades: uma com afinidade à actina, outra a tropomiosina e uma última ao Ca2+ , a troponina regula o bloqueio do sítio de ligação feito pela tropomiosina.

Os filamentos de actina e miosina têm uma grande afinidade e ligam-se facilmente sem a presença do complexo troponina/tropomiosina. Nota-se que esse complexo impede a ligação na ausência de Ca2+. O mecanismo de liberação do sítio de ligação actina/miosina começa com a chegada do potencial de ação à membrana do músculo, promovendo a entrada maciça de íons Ca2+ . Estes íons ligam-se à troponina C, causando uma mudança conformacional da mesma que se reflete na molécula de tropomiosina, que libera então os sítios da actina que estavam bloqueados. A interação actina/miosina se dá imediatamente desde que haja ATP e magnésio (ambos presentes em condições normais).

Contração Muscular


CONTRAÇÃO DO MÚSCULO ESQUELÉTICO 

Cerca de 40% do corpo é composto por músculo esquelético.

Anantomia fisiológica do músculo esquelético

Fibra do músculo esquelético



O músculo esquelético é composto por numerosas fibras formadas por subunidades ainda menores chamadas de miofibrilas. 

O sarcolema é a membrana delgada que reveste a fibra muscular esquelética, revestida de fina camada de material polissacarídeo contendo muitas fibrilas colágenas delgadas. Em cada extremidade da fibra muscular, essa camada superficial do sarcolema funde-se com uma fibra do tendão que, por sua vez, se agrupam em feixes para formar os tendões dos músculos que se inserem nos ossos. 

As miofibrilas são compostas por filamentos de actina (mais finos) e de miosina (mais espessos), são longas moléculas de proteínas polimerizadas responsáveis pelas contrações reais musculares. Cada fibra muscular contém centenas a milhares de miofibrilas, demonstradas pelos pequenos pontos abertos no corte transversal da Figura 1C. 

Os filamentos de miosina e actina são parcialmente interdigitados, fazendo com que a miofibrila alterne faixas escuras e claras. As faixas claras só contêm filamentos de actina e as escuras contêm miosina, assim como as extremidades dos filamentos de actina, onde superpõem aos de miosina, chamadas de faixas A. As projeções laterais dos filamentos de miosina (Figura 1E e L) são as pontes cruzadas. São as interações entre os filamentos de actina e as pontes cruzadas que causam as contrações. 

As extremidades dos filamentos de actina são ligados ao chamado disco Z, conforme mostra a Figura 1E. O disco Z, composto por proteína filamentosa diferente dos filamentos de miosina e actina, conecta as miofibrilas umas as outras, por toda a fibra muscular. 

O sarcômero é o segmento de miofibrila situado entre dois discos Z sucessivos. Quando a fibra muscular está contraída, os filamentos de actina se sobrepõem completamente aos filamentos de miosina.

As numerosas miofibrilas de cada fibra muscular ficam em suspensão, lado a lado, na fibra muscular. Os espaços entre elas são preenchidos pelo líquido intracelular conhecido como sarcoplasma, que contêm grande quantidade de potássio, magnésio e fosfato, além de múltiplas enzimas proteicas. Também está presente nessa substância grande quantidade de mitocondrias, que fornecem às miofibrilas que se contraem grande quantidade de energia, na forma de trifosfato e adenosina (ATP). 

Também no sarcoplasma circundando as miofibrilas de cada fibra muscular existe retículo extenso referido como retículo sarcoplamático, importante para o controle da contração muscular. 

Mecanismo Geral da Contração Muscular 

O início e a execução da contração muscular ocorrem das seguintes etapas: 

1. Os potenciais de ação cursam pelo nervo motor até suas terminações nas fibras musculares. 

2. Em cada terminação, o nervo secreta pequena quantidade de substância neurotransmissora acetilcolina.

3. A acetilcolina age em área local da membrana da fibra muscular para abri múltiplos canais de cátion, regulados pela acetilcolina, por meio de moléculas de proteína que flutuam na membrana. 

4. A abertura dos canais regulados pela acetilcolina permite a difusão de grande quantidade de íons sódio para o lado interno da membrana das fibras musculares Isto causa despolarização local que, por sua vez, produz a abertura de canais de sódio, dependentes da voltagem. Isso desencadeia o potencial de ação da membrana. 

5. O potencial de ação se propaga por toda a membrana da fibra muscular do mesmo modo como o potencial de ação cursa pela membrana das fibras nervosas. 

6. O potencial de ação despolariza a membrana muscular, e grande parte da eletricidade do potencial de ação flui pelo centro da fibra muscular. Aí, ela faz com que o retículo sarcoplasmático libere grande quantidade de íons cálcio armazenados nesse retículo. 

7. Os íons cálcio ativam as forças atrativas entre os filamentos de miosina e actina, fazendo com que deslizem ao lado um do outro, que é o processo contrátil. 

8. Após fração de segundo, os íons cálcios são bombeados de volta para o retículo sarcoplasmático pela bomba de Ca++ da membrana, onde permanece armazenados até que novo potencial de ação muscular se inicie; essa remoção dos íons cálcios das miofibrilas faz com que a contração muscular cesse. 


Processo de contração muscular

Mecanismo de deslizamento dos filamentos da contração muscular: a figura abaixo demonstra o mecanismo básico da contração muscular. Ela mostra o estado relaxado de um sarcômero (na parte superior) e o estado contraído (na parte inferior). No estado relaxado, as extremidades dos filamentos de actina que se estendem de dois discos Z sucessivos, mal se sobrepõem. Inversamente no estado contraído, esses filamentos de actina são tradicionais por entre os filamentos de miosina, de forma que suas extremidades se sobrepõem umas às outras em sua extensão máxima. Também os discos Z foram tradicionais pelos filamentos de actina até as extremidades dos filamentos de miosina. Desse modo a contração muscular ocorre por mecanismo de deslizamento dos filamentos. Mas o que faz com que os filamentos de actina deslizem por entre os filamentos de miosina? Isso resulta da força gerada pela interação das pontes cruzadas dos filamentos de miosina com os filamentos de actina. Em condições de repouso essas forças estão inativas, mas quando um potencial de ação passa pela fibra muscular, ele faz com que o retículo sarcoplasmático libere grande quantidade de íons cálcio que rapidamente circulam pelas miofibrilas. Os íons cálcio por sua vez ativam as forças entre os filamentos de miosina e de actina, e a contração se inicia. Mais energia é necessária para que o processo de contração continue, essa energia deriva das ligações de alta energia da molécula de ATP, que é degradada difosfato de adenosina (ADP) para liberar energia.






Mecanismo Molecular da Contração Muscular 

No estado relaxado, as extremidades dos filamentos de actina que se estendem entre dois discos Z, mal se sobrepõem. No estado contraído, esses filamentos de actina são tracionados por entre os filamentos de miosina, de forma que suas extremidades se sobrepõem em sua extensão máxima. Também os discos Z foram tracionados pelos filamentos de actina até as extremidades dos filamentos de miosina. Desse modo a contração muscular ocorre por mecanismo de deslizamento dos filamentos.

Quando um potencial de ação passa pela fibra muscular ele faz com que o retículo sarcoplasmático libere grande quantidade de íons cálcio, que rapidamente circulam pelas miofibrilas. Os íons cálcio, por sua vez, ativam as forças entre os filamentos de miosina e de actina, e a contração se inicia. Mas, energia é necessária para que o processo de contração continue. Essa energia deriva das ligações de alta energia da molécula de ATP que é degradada ao difosfato de adenosina (ADP) para liberar energia. 

Cada filamento de actina tem comprimento em torno de 1 micrômetro. A base dos filamentos de actina está fortemente inserida nos discos Z; as extremidades dos filamentos projetam-se em ambas as direções para ficarem nos espaços entre as moléculas de miosina. 

Os filamentos de actina contêm também a proteína a tropomiosina. Durante o período de repouso as moléculas de tropomiosina recobrem os locais ativos de filamento de actina, de forma a impedir que ocorra a atração entre os filamentos de actina e miosina para produzir contração. 

Ligado internamente aos lados das moléculas de tropomiosina existe ainda outro tipo de molécula de proteína, referida como troponina. Admite-se que essa molécla seja reponsável pela ligação da tropomiosina com a actina. Acredita-se que a forte afinidade da tropomina pelos íons cálcio seja o evento que desencadeia o processo da contração. 


ATP como fonte de energia para a contração 

Quando um músculo se contrai, é realizado trabalho com necessidade de energia. Grandes quantidades de ATP são degradadas, formando ADP durante o processo da contração; quanto maior a quantidade de trabalho realizado pelo músculo, maior a quantidade de ATP degradada, o que é referido como efeito Fenn. Acredita-se que esse efeito ocorra na seguinte

sequência:

Antes do início da contração, as pontes cruzadas das cabeças se ligam ao ATP. A atividade de ATPase das cabeças de miosina imediatamente cliva o ATP, mas deixa o ADP e o íon fosfato como produtos desta clivagem ainda ligados à cabeça. Nessa etapa, a conformação da cabeça é tal que se estende perpendicularmente ao filamento de actina, só que ainda não está ligada a actina. 

Quando o complexo troponina-tropomiosina se liga aos íons cálcio, os locais ativos no filamento de actina são descobertos, e as cabeças de miosina então se ligam a eles, como mostra a figura abaixo. 

A ligação entre a ponte cruzada da cabeça e o local ativo no filamento de actina causa alteração conformacional da cabeça, fazendo com que se incline em direção ao braço da ponte cruzada. Essa alteração gera um movimento de força para puxar o filamento de actina. A energia que ativa o movimento de força é a energia já armazenada, como uma mola engatilhada, pela alteração conformacional que ocorreu na cabeça quando as moléculas de ATP foram clivadas. 

Uma vez que a cabeça da ponte cruzada esteja enclinada, isso permite a liberação do ADP e do íon fosfáto que estavam ligados à cabeça. No local onde foi liberado o ADP, nova molécula de ATP se liga. A ligação desse novo ATP causa o desligamento da cabeça pela actina. 

Após a cabeça ter sido desligada da actina, a nova molécula de ATP é clivada para que seja iniciado um novo ciclo, levando a novo movimento de força. Ou seja, a energia volta a engatilhar a cabeça em sua posição perpendicular, pronta para começar o novo ciclo do movimento de força. 

Quando a cabeça é engatilhada (com a energia armazenada derivada da clivagem do ATP) se liga a novo local ativono filamento de actina, ela descarrega e de novo fornece outro mecanismo de força. 

Desse modo, o processo ocorre sucessivamente até que os filamentos de actina puxem a membrana Z contra as extremidades dos filamentos de miosina, ou até que a carga sobre os músculos fique demasiadamente forte para que ocorra mais tração.


Potencias de membrana

Todas as células do corpo humano apresentam um potencial elétrico através de sua membrana que é chamado, simplesmente de potencial de membrana. Nas condições de repouso, esse potencial é negativo no interior da membrana. O potencial de membrana é causado por diferenças nas concentrações iônicas dos líquidos intra e extracelulares. Especialmente importante é o fato de que o líquido intracelular contem concentração muito elevada de íons potássio enquanto que, no líquido extracelular, a concentração desse íon é muito reduzida, exatamente o oposto ocorre com íon sódio: concentração muito elevada no líquido extracelular e muito reduzida no líquido intracelular.

Os potencias de membrana desempenham papel fundamental na transmissão dos sinais neurais, bem como no controle da concentração muscular, da secreção glandular e sem qualquer dúvida em muitas outras funções.

Desenvolvimento do potencial de membrana: para explicar como surge o potencial de membrana, é necessário que se compreenda que membrana axônica em repouso é quase que impermeável aos íons sódio, mas muito permeável aos íons potássio. Como resultado, o íon potássio, altamente concentrado no interior da membrana, tende sempre a passar para fora do axônio e em verdade sempre passam alguns íons. Uma vez que os íons potássio possuem carga positiva, sua passagem para o exterior carrega eletricidade positiva para esse mesmo exterior, por outro lado no interior da fibra existem grandes quantidades de moléculas de proteínas, portadoras de cargas negativas e essas moléculas não saem da fibra, consequentemente o interior da fibra nervosa torna-se muito negativa, devido à falta de íons positivos e ao excesso de proteína ionizada com carga negativa. Dessa forma o potencial de membrana de uma fibra nervosa comum de grande diâmetro, nas condições de repouso é cerca de 90mV, com a negatividade no interior da fibra.






Potencias de membrana

Todas as células do corpo humano apresentam um potencial elétrico através de sua membrana que é chamado, simplesmente de potencial de membrana. Nas condições de repouso, esse potencial é negativo no interior da membrana. O potencial de membrana é causado por diferenças nas concentrações iônicas dos líquidos intra e extracelulares. Especialmente importante é o fato de que o líquido intracelular contem concentração muito elevada de íons potássio enquanto que, no líquido extracelular, a concentração desse íon é muito reduzida, exatamente o oposto ocorre com íon sódio: concentração muito elevada no líquido extracelular e muito reduzida no líquido intracelular.

Os potencias de membrana desempenham papel fundamental na transmissão dos sinais neurais, bem como no controle da concentração muscular, da secreção glandular e sem qualquer dúvida em muitas outras funções.

Desenvolvimento do potencial de membrana: para explicar como surge o potencial de membrana, é necessário que se compreenda que membrana axônica em repouso é quase que impermeável aos íons sódio, mas muito permeável aos íons potássio. Como resultado, o íon potássio, altamente concentrado no interior da membrana, tende sempre a passar para fora do axônio e em verdade sempre passam alguns íons. Uma vez que os íons potássio possuem carga positiva, sua passagem para o exterior carrega eletricidade positiva para esse mesmo exterior, por outro lado no interior da fibra existem grandes quantidades de moléculas de proteínas, portadoras de cargas negativas e essas moléculas não saem da fibra, consequentemente o interior da fibra nervosa torna-se muito negativa, devido à falta de íons positivos e ao excesso de proteína ionizada com carga negativa. Dessa forma o potencial de membrana de uma fibra nervosa comum de grande diâmetro, nas condições de repouso é cerca de 90mV, com a negatividade no interior da fibra.





Processo de contração músculo liso


Base química da contração: os filamentos de actina e de miosina extraídos de músculos lisos interagem entre si da mesma forma como fazem a actina e a miosina extraídas de músculo esquelético. Ainda mais processo contrátil é ativado por íons cálcio, e o ATP é degradado a ADP para fornecer a energia para a contração. Por outro lado existem diferenças importantes entre a organização física dos músculos esqueléticos e liso.

Base física para contração do músculo liso: a organização física da célula muscular lisa tem um grande número de filamentos de actina, presos a corpos densos. Alguns desses corpos densos por sua vez, ficam dispersos no sarcoplasma. Entremeados nos filamentos de actina, existem alguns poucos filamentos grossos, com diâmetro cerca e 2,5 vezes o dos filamentos finos de actina, presume-se que sejam os filamentos de miosina. Apesar da pobreza relativa de filamentos de miosina, é presumido que possuam números suficientes de pontes cruzadas para fixar os muitos filamentos de actina, causando contração pelo mecanismo do filamento deslizante, de modo essencialmente idêntico ao do músculo esquelético.

Lentidão da contração do relaxamento do músculo liso: um músculo liso típico começa a contrair-se cerca de 50 a 100 milissegundos após ter sido excitado, atingindo a contração máxima após meio segundo. Em seguida a contração declina durante1 a 2 segundos, o que dá um tempo total de contração da ordem de 1 a 3 segundos, o que é 30 vezes maior do que o da contração isolada de uma músculo esquelético .

Energia necessária para manter a contração do músculo liso: apenas 1/500 da energia necessária para a contração do músculo esquelético é usada na contração do músculo liso. Presumidamente isso é o resultado da atividade extremamente lenta da miosina ATPase do músculo liso e também do fato de existir muito menos filamentos de miosina no músculo liso o que no músculo esquelético. Essa economia na utilização e energia pelo músculo liso é extremamente importante para o funcionamento global o organismo, visto que órgãos como os intestinos, a bexiga urinária, a vesícula biliar e muitas outras vísceras devem manter grau moderado de contração tônica de seu músculo durante todo o tempo.


Processo de contração do músculo cardíaco

A figura abaixo apresenta corte microscópico e músculo cardíaco. Deve ser notado que as fibras possuem a mesma estriação transversa que é característica do músculo esquelético. Isso resulta do fato de que o músculo cardíaco possui o mesmo tipo e mecanismo contrátil por filamentos deslizantes de actina e de miosina, que ocorre no músculo esquelético, entretanto deve ser notado que, ao contrário do músculo esquelético, as fibras musculares cardíacas são interconectadas entre si, formando treliça que é chamada de sincício. Essa disposição é semelhante à que existe no músculo liso visceral, onde suas fibras também são fundidas, formando massa interconectadas de fibras também chamadas de sincício.

No coração existem dois sincícios musculares distintos um deles corresponde ao músculo cardíaco, que forma as paredes dos dois átrios, enquanto o outro é o músculo cardíaco, que forma as paredes dos ventrículos. Essas duas massas musculares são separadas por tecido fibroso, situado entre os átrios e os ventrículos. O importante das duas massas musculares sinciciais distintas é a seguinte: quando qualquer dessas massas é estimulada, o potencial de ação se propaga por todo o sincício e, portanto faz com que toda a massa muscular contraia, dessa forma quando a massa muscular atrial é estimulada em qualquer ponto, o potencial de ação é propagado tanto para o átrio direito quanto para o átrio esquerdo, o que faz com que todo o complexo das paredes atriais contraia a um só tempo, do que resulta a compressão do sangue para passar pelas válvulas mitra e tricúspide. Em seguida quando o potencial de ação é propagado pelo músculo ventricular, vai excitar todo o músculo sincicial ventricular. Portanto todas as paredes ventriculares contraem a um só tempo, e o sangue contido no interior de suas câmeras é bombeado, de modo adequado, através das válvulas aórtica e pulmonar, para as artérias.


Referências texto e figuras:


Tratado de Fisiologia Médica Autores: Guyton & Hall
12° Edição

http://pt- br.infomedica.wikia.com/wiki/Fisiologia_da_Contra%C3%A7%C3%A3o_Musc ular

http://www.ebah.com.br/search?q=contra%C3%A7%C3%A3o+muscular+fisio logia+biomedicina&type=link

http://www.auladeanatomia.com/sistemamuscular/gen-musc.htm

Como montar uma ficha de treinamento de musculação?

Como montar uma ficha de treinamento de musculação?

Ao montar uma rotina de treinamento deve-se, em primeiro lugar, observar a divisão dos treinos durante a semana. O objetivo não é apontar de forma absoluta como se dividir um treinamento, mas sim apresentar possíveis soluções para os menos experientes ou para aqueles que por ventura tenham algum tipo de dificuldade em fazer esta divisão.


Treinamento de musculação ao montar uma rotina deve-se, em primeiro lugar, observar a divisão dos treinos durante a semana. O objetivo não é apontar de forma absoluta como se dividir um treinamento, mas sim apresentar possíveis soluções para os menos experientes ou para aqueles que por ventura tenham algum tipo de dificuldade em fazer esta divisão.

Treino de adaptação

Sempre que uma pessoa começa a treinar musculação, as dores musculares (principalmente nas primeiras semanas) são muito fortes, inclusive causando limitação de movimentos em muitos casos. A fim de evitar estes efeitos indesejáveis, um período de adaptação ao exercício deve ser utilizado, onde as sessões iniciais sejam de média duração (com séries altas, de 15 a 20 repetições, por exemplo) e de baixa intensidade (pesos mais leves), aumentando com o decorrer do tempo. Com isso, o aluno permitirá que seu corpo (estruturas musculares e articulares) se adapte à sua nova realidade, podendo então ser gradativamente submetido a uma maior carga de treinamento. Fazendo isso, ele evita essas dores musculares tardias e em um período de um a dois meses em média (recomendado) estará pronto para iniciar com os “treinos de verdade”.

Exemplos de divisões para adaptação

ABC
(Seg-Qua-Sex) ou (Ter-Qui-Sab)
A- Peito, ombros e tríceps
B- Coxas, panturrilhas e abdominais
C- Costas e bíceps
AB
(Seg-Qui) ou (Ter-Sex)
A- Membros superiores
B- Membros inferiores e abdominais

Treino para iniciantes

Passado o período de adaptação, o aluno deve iniciar o treinamento, propriamente dito. Aumentando intensidade e reduzindo o volume de exercícios, o aluno poderá começar a estimular seus músculos a crescerem. Mas para isso, eles necessitarão de um tempo maior para se recuperarem antes da próxima jornada. Este é um ponto importante a ser observado ao se definir uma divisão de treinamento. Treinar o músculo agonista no dia imediatamente anterior ao sinergista (ou vice-versa) torna-se contraprodutivo, uma vez que este não terá tempo suficiente para se recuperar. Isso pode causar um efeito exatamente contrário ao seu objetivo, pois o músculo precisa de tempo para se recuperar das microlesões produzidas pelo treino, construindo músculos maiores e mais fortes (hipertrofia). Este é também um dos motivos pelo qual não se deve treinar o mesmo músculo várias vezes na semana. Uma outra razão para não se trabalhar um mesmo músculo em dias subsequentes ou repetidamente durante um prazo muito curto é o temido Overtraining (estresse muscular por excesso de esforço).

Antes de partirmos para as divisões, vamos definir o que é agonista, antagonista e sinergista

Músculo Agonista - É o músculo ou grupo muscular que está se contraindo, o principal músculo produzindo movimento articular ou mantendo uma postura. Este é designado como músculo agonista. O agonista sempre se contrai ativamente para produzir uma contração concêntrica, excêntrica ou isométrica.
Músculo Antagonista –  O antagonista é o músculo ou grupo muscular que possui ação anatômica oposta à do agonista. Usualmente o antagonista é o músculo que não está se contraindo, não auxilia e nem resiste ao movimento, mas que passivamente se alonga ou encurta para permitir que o movimento ocorra.
Músculo Sinergista – Um músculo é considerado sinergista sempre que este se contrai ao mesmo no tempo do agonista, mas não é o principal músculo responsável pelo movimento ou manutenção da postura. Normalmente o músculo sinergista executa o movimento (mesmo não sendo o músculo-alvo), e normalmente existem mais de um músculo sinergista em um mesmo movimento articular.
Como o atleta iniciante ainda não tem pleno domínio dos exercícios e da maneira de como exigir o máximo de seus músculos, as divisões que devem ser normalmente adotadas são:
ABC
(Seg-Qua-Sex) ou (Ter-Qui-sab)
A- Peito, ombros e tríceps
B- Coxas, panturrilhas e abdominais
C- Costas e bíceps
A- Peito e bíceps
B- Coxas, panturrilhas e abdominais
C- Costas, ombros e tríceps
A- Peito e tríceps
B- Coxas, ombros e abdominais
C- Costas, bíceps e panturrilhas
ABC2X (ABC-ABC, trabalhando os mesmos grupos musculares duas vezes na semana: Seg-Qui / Ter-Sex / Qua-Sab)
A- Peito, ombros e tríceps
B- Coxas, panturrilhas e abdominais
C- Costas e bíceps

Treino para atletas intermediários

No nível intermediário torna-se necessário aumentar o a intensidade de treinamento. Além disso, o grau de complexidade dos exercícios também aumenta, pois durante a fase de iniciante o indivíduo melhorou sua coordenação na execução dos movimentos. Nesta fase o atleta já conhece bem o seu corpo e sabe como produzir o estresse adequado ao músculo-alvo, conseguindo maior intensidade durante os treinos e também utilizando-se de outras estratégias, como as vistas neste artigo. Normalmente, as divisões a partir deste nível são feitas de maneira que se treine uma menor quantidade de grupos musculares por dia, pois a fadiga muscular causada pelo treino é grande e também porque normalmente se necessita de um tempo ainda maior para plena recuperação dos músculos.
Exemplos de divisões de treino para atletas intermediários:
ABCD
(Seg-Ter-Qui-Sex) ou (Seg-Ter-Qui-Sab)
A- Peito e ombros
B- Costas, trapézios e abdominais
C- Coxas e panturrilhas
D- Bíceps, tríceps, antebraços e abdominais
A- Peito e Tríceps
B- Costas, bíceps e antebraços
C- Coxas e panturrilhas
D- Ombros, trapézio e abdominais
ABCDE
(Seg-Ter-Qua-Qui-Sex) ou (Seg-Ter-Qui-Sex-Sab)
A- Peito e panturrilhas
B- Costas e antebraços
C- Coxas
D-Ombros e trapézio
E- Bíceps, tríceps e abdominais
A- Quadríceps e panturrilhas
B- Peito e tríceps
C- Costas, bíceps e abdominais
D-Hamstrings (posterior da coxa) e panturrilhas
E- Ombros e trapézio

Treino para atletas avançados

O ritmo de treino e grau de complexidade dos exercícios aumentam novamente. Alguns poucos atletas utilizam treinar os músculos sinergistas de um determinado grupamento no dia seguinte, mas esse tipo de divisão avançada não é indicada para pessoas e atletas que não possuam um AMPLO conhecimento a cerca dos princípios e metodologias envolvidas na montagem coerente de um ciclo de treinamento, bem como um AMPLO domínio sobre os movimentos executados e conhecimento do próprio corpo. Os motivos já foram explicados anteriormente. Exemplos:
ABCD
(Seg-Ter-Qui-Sab) ou (Seg-Ter-Qui-Sex)
A- Peito e bíceps
B- Ombros, tríceps, pescoço e reto abdominal
C- Costas, trapézio e antebraços
D- Coxas, panturrilhas, oblíquos e transverso do abdome
A- Peito e ombros
B- Costas, trapézio, pescoço e reto abdominal
C- Coxas e panturrilhas
D- Bíceps, tríceps, antebraços e oblíquos e transverso do abdome
ABC – Treinamento dividido
(Seg-Qua-Sex) ou (Ter-Qui-Sab)
A- manhã = Peito / noite = Bíceps e panturrilhas
B- manhã = Ombros e tríceps / noite = Abdominais
C- manhã = Costas e lombar / noite = Trapézio e pescoço
ABCDE
(Seg-Ter-Qua-Sex-Sab) ou (Seg-Ter-Qui-Sex-Sab)
A- Peito e ombros
B- Anterior da coxa e abdominais
C- Costas, trapézios e pescoço
D- Posterior da coxa e panturrilhas
E- Bíceps, tríceps, antebraços e abdominais
ABCDEF
(Seg-Ter-Qua-Qui-Sex-Sab)
A- Anterior da coxa e abdominais
B- Posterior da coxa e panturrilhas
C- Bíceps, tríceps e antebraços
D- Peito e abdominais
E- Ombros e trapézio
F- Costas e pescoço
A- Anterior da coxa e panturrilhas
B- Peito e ombros
C- Abdominais
D- Posterior da coxa e panturrilhas
E- Costas, trapézio e pescoço
F- Bíceps, tríceps e antebraços
Matéria publicada pelo site Acadhemia 

ASPECTOS DO LAZER: TEMPO E ATITUDE



Nas reivindicações das associações de moradores, nos luminosos das lojas, nos anúncios de imobiliárias, nas propostas dos candidatos a cargos públicos, nos títulos das revistas, nas seções dos jornais, e em muitas outras situações da vida cotidiana, a palavra “lazer” vem aparecendo com uma frequência cada vez maior, que não se verificava até bem pouco tempo atrás, pelo menos com tanto destaque.
Isso faz com que seja quase inevitável, quando se aborda de maneira específica a temática do lazer, iniciar-se destacando os vários entendimentos que a palavra comporta na nossa sociedade, motivados pela incorporação relativamente recente do termo ao vocabulário comum.
Além disso, não se pode deixar de considerar que se trata de um termo carregados de preconceitos, motivados por um pretenso caráter supérfluo dessas atividades, contrapondo-se à nossa situação socioeconômica, e pela sua utilização como instrumento ideológico, contribuindo para o mascaramento das condições de dominação as relações de classe, mantendo viva a expressão “Pão e circo”.
Com relação à utilização da palavra “lazer” o que se verifica, com maior frequência, é a simples associação com experiências individuais vivenciadas dentro de um conceito mais abrangente que caracteriza a sociedade de consumo, o que, muitas vezes, implica a redução do conceito a visões parciais, restritas aos conteúdos de determinadas atividades.
Dessa forma, para algumas pessoas lazer é futebol, para outras é pescaria, ou jardinagem etc. etc.
O uso indiscriminado ou impreciso da palavra, englobando conceitos diferentes e até mesmo conflitantes, fundamenta a necessidade de tentar precisa-lo, no sentido de orientar discussões que contribua para o seu entendimento e significado na vida cotidiana de todos nós.
Apenas pelo exemplo citado percebe-se que o entendimento do lazer não pode ser estabelecido somente a partir do conteúdo da ação, ou pelo menos que ele não constitui condição suficiente para a conceituação.
Se para algumas pessoas o futebol, a pescaria, a jardinagem constituem atividades de lazer, certamente isso não se verifica, em todas as oportunidades, para o jogador profissional, o pescador que depende da sua produção ou para o jardineiro.
Além disso, aquilo que pode ser altamente atraente e prazeroso para determinada pessoa, não raro significa tédio ou desconforto para outro indivíduo.
Assim, as circunstancias que cercam o desenvolvimento dos vários conteúdos são básicas para a caracterização das atividades.
Nesse particular, podem ser destacados como fundamentais os aspectos tempo e atitude.
O lazer considerado como atitude será caracterizado pelo tipo de relação verificada entre o sujeito e a experiência vivida, basicamente a satisfação provocada pela atividade.
O lazer ligado ao aspecto tempo considera as atividades desenvolvidas no tempo liberado do trabalho, ou no “tempo livre”, não só das obrigações profissionais, mas também das familiares, sociais e religiosas.
Apesar da polêmica sobre o conceito, a tendência que se verifica na atualidade entre os estudiosos do lazer é no sentido de considera-lo tendo em vista os dois aspectos – tempo e atitude.
A consideração no aspecto tempo na caracterização do lazer tem provocado uma série de mal-entendidos. Um deles diz respeito ao conceito “livre” adicionado a esse tempo. Considerado do ponto de vista histórico, tempo algum pode ser entendido como livre de coações ou normas de conduta social. Talvez, fosse mais correto falar em tempo disponível. Mesmo assim, permanece a questão da consideração do lazer, como esfera primitiva e controlada da vida social, o que provocaria a morte de lúdico, e a ocorrência do lazer marcada pelas mesmas características alienantes verificadas em outras áreas de atividade humana.


AINDA SOBRE TEMPO E ATITUDE

Conforme já verificamos anteriormente, a consideração dos aspectos tempo e atitude é fundamental para o entendimento do âmbito do lazer. Já colocamos, inclusive, que essa consideração não deve ficar isolada num único desses aspectos, mas sim combiná-los, uma vez que o simples isolamento de cada um pode provocar uma série de equívocos, decorrentes de situações nebulosas.
Dessa forma, o lazer encarado apenas como atitude, como um estilo de vida, fica na dependência exclusiva da relação da pessoa envolvida com a atitude. E, assim, qualquer atividade poderia ser considerada lazer, até mesmo trabalho, desde que atendesse a determinadas características, como a escolha individual, e um nível de prazer e satisfação elevados. Ora, sabemos que para grande maioria da população o trabalho não pode ser assim considerado, e mesmo para a minoria privilegiada em termos de escolha e satisfação profissional, o componente de obrigação é marcante, principalmente em nossa sociedade, que valoriza sobretudo a produtividade. Esse componente de obrigação está presente em uma série de outras atividades, como as familiares, os compromissos sociais, religiosos etc. Talvez o ideal fosse caminhar em busca da gradativa eliminação do componente obrigação em todas as atividades, mas a história tem demonstrado que ele é uma constante, variando em suas formas.
Por outro lado, a consideração isolada do aspecto tempo traz uma série de interrogações. Por exemplo: como poderiam ser consideradas as atividades desenvolvidas no tempo em que o trabalhador se desloca do local de trabalho para o local de moradia, ou vice-versa?
Como considerar as ações prazerosas desenvolvidas no âmbito do tempo dedicado as obrigações familiares?
Outras questões se colocam quando o lazer é examinado levando em conta o aspecto tempo. Que tempo é esse? Quais as suas características?
Antes de mais nada, o tempo de lazer encontra-se não em oposição, mas em relação com o tempo das obrigações. Sobretudo com as profissionais – com o trabalho. E aqui algumas questões podem ser colocadas, apenas a título de exemplo: o tempo do desempregado, ou o tempo do grevista poderiam ser considerados como lazer? A questão que pode, à primeira vista, parecer fora de propósito é bastante atual, quando se analisa programas de lazer desenvolvidos por determinadas organizações, tentando preencher o tempo do desempregado com atividades “sadias”, ou quando se discute a reposição da produção do grevista, após o período de greve.
Considerando apenas a esfera das atividades profissionais – do trabalho, o tempo do lazer situa-se no “tempo liberado”, portanto supõe a sua existência. Dessa forma, o tempo gerado pelo desemprego nunca poderá ser considerado tempo liberado, mas sim tempo desocupado. E desocupado devido a incapacidade do sistema econômico gerar trabalho. Além disso, pelas próprias características da situação de desempregado, a pessoa nessa circunstância não tem condições de desenvolver atitudes favoráveis para o desenvolvimento do lazer.
Por outro lado, o tempo despendido numa greve é utilizado pelo trabalhador para o aperfeiçoamento de sua organização, tendo em vista o atendimento de suas reivindicações profissionais e sociais, que, em última análise, contribuirão para o seu desenvolvimento quer enquanto pessoa, quer enquanto trabalhador. Assim, a questão da reposição do trabalho não pode ser considerada de modo simplificado, mas levando em conta também os reflexos da interrupção do trabalho na retomada das atividades. No âmbito específico do lazer, a reposição significa perdas em termos das conquistas dos trabalhadores – ainda tímidas -, uma vez que, em última análise deve ser entendida como acréscimo de atividades profissionais no tempo “liberado” do trabalhador.
Deve-se considerar, ainda, que da mesma forma que o desempregado, o grevista também não tem condições de desenvolver atitudes favoráveis ao lazer.


Estudos do lazer – Nelson Carvalho Marcelino

HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA

Introdução

 A Educação Física é vista hoje como agente de saúde, estética, melhoria da condição atlética, recuperação física, dentre outras funções, mas nem sempre se pensou assim.
Os primeiros relatos de atividades físicas vêm desde a época pré-histórica, quando já se percebia uma preocupação pelo físico mais forte, porém, não com o intuito da beleza ou exercício e sim de proteção. Desde então a Educação Física se adaptava às épocas e sociedades na medida em que passava por mudanças e estágios, evoluindo a cada século para chegar à Educação Física que conhecemos atualmente.
A evolução da Educação Física acontece gradativamente à evolução cultural dos povos, estando interligada aos sistemas políticos, sociais, econômicos e científicos das sociedades.


Evolução da Educação Física ao longo dos tempos

Há milhões de anos...
Todas as atividades humanas durante o período pré-histórico dependiam do movimento, do ato físico. Ao analisar a cultura primitiva em qualquer das suas dimensões (econômica, política ou social), vemos, desde logo, a importância das atividades físicas para os nossos irmãos das cavernas.
Condenado a uma situação de nomadismo durante a maior parte de sua existência, o homem dependia de sua força, velocidade e resistência para sobreviver. Suas constantes migrações em busca de moradia faziam com que realizassem longas caminhadas, ao longo das quais lutavam, corriam, saltavam, escalavam e nadavam.
No começo, ainda absolutamente nômades, a caça e a pesca eram a base da sua economia. Posteriormente, iniciaram-se num processo de sedentarização, quando começaram a dominar técnicas rudimentares de agricultura e domesticação de animais.
A partir do instante em que o homem se sedentarizou, podemos registrar o início da luta pela posse de terras. É evidente que a fixação ao solo não se deu ao mesmo tempo e em todos os lugares. Fácil será deduzir o que acontecia quando hordas nômades encontravam, em suas peregrinações, os grupos sedentários. Os primeiros embates marcaram a vitória dos agressores, pois estes possuíam maior vigor física devido a sua atividade física mais intensa. Aqueles que já plantavam e criavam, ao instalar novos núcleos tratavam, agora, de aproveitar seus momentos de ócio num treinamento visando o sucesso diante de novos e possíveis ataques.
Uma das atividades físicas mais significativas para o homem antigo foi a dança. Utilizada como forma de exibir suas qualidades físicas e de expressar os seus sentimentos, era praticada por todos os povos, desde o paleolítico superior (60 000 a.C).
Além disso, os primeiros povos perceberam que o exercício corporal, produzindo uma excitação interior, podia levá-los a estados alterados de consciência. Acompanhadas por ruídos que tinham por fim exorcizar os maus espíritos, estas danças duravam horas ou mesmo dias, levando os seus praticantes a acreditar estarem entrando em contato com o poder dos deuses. As danças representavam um papel fundamental no processo da Educação, na medida em que se faziam presentes em todos os ritos que preparavam os jovens para a vida social. Este fato evidenciava-se nas danças rituais a partir do culto, pois a religião era a única preocupação sistemática na educação primitiva.
Entre os povos primitivos existem alguns poucos que conseguem atingir um estágio civilizatório. Estes pioneiros, surgidos há 6 000 anos e cujo número andou em torno de vinte, ainda mantiveram muitas características dos primitivos. Sua cultura, porém, evoluíra o suficiente para que se considerasse iniciado um novo período da História.

 Antiguidade Oriental: Nesse novo contexto, os exercícios físicos continuam merecendo o mesmo destaque alcançado na pré-história. Nessa época já é possível uma análise mais apurada das atividades físicas no berço desse novo mundo, agora civilizado, com seus feitos, registrados através da escrita. Podemos arriscar uma classificação onde identificaríamos finalidades de ordem guerreira, terapêutica, esportiva e educacional, aparecendo sempre a religião como pano de fundo, como em todas as realizações orientais.

Os chineses parecem haver sido os primeiros a racionalizar o movimento humano, emprestando-lhe, ainda, um forte conteúdo médico. Criaram, provavelmente, o mais antigo sistema de ginástica terapêutica de que se tem notícia: era o Kong-Fou (a arte do homem) - surgido por volta de 2700 a.C. - e praticado pela seita Tao-Tsé, onde a pessoa executava os movimentos nas mais diversas posições, obedecendo a certos critérios sobre respiração, tudo de acordo com a doença a ser tratada. Há que se ressaltar, ainda, o aspecto religioso dessa prática que, além de curar enfermidades do corpo, servia para torná-lo um "leal servidor da alma".

 A índia é reconhecida como a nação que conseguiu atingir o maior grau de elevação espiritual de toda a humanidade. Entre as práticas hindus, temos de destacar a yoga como a sua manifestação suprema. A yoga não é apenas um conjunto de exercícios ginásticos, mas uma doutrina que busca não só a purificação do corpo como também, através da meditação, facilitar a identificação do homem com a sua essência divina. Integra, portanto, o físico, o intelectual e o emocional, numa bela concepção do ser humano.

 Nessa fase da história da humanidade, vários povos destacaram-se pela formação guerreira que era dada aos seus cidadãos. Os egípcios - considerados por muitos historiadores como a mais antiga civilização - deixaram o seu registro principalmente através dos murais dos seus templos e dos monumentos funerários, bem como de todo o restante de sua inconfundível arte. As imagens mais numerosas são as de luta, que se constituem num mural escrupulosamente detalhado, como se formassem os quadros de um filme.  Estimulados por uma longa guerra de independência contra os hicsos, povo asiático que os dominou, os egípcios foram levados a se exercitarem aplicadamente para expulsar os invasores, provocando um treinamento muito rigoroso dos seus soldados. 

 Na região situada entre os rios Tigre e Eufrates estavam os sumérios, os caldeus ou babilônios e os assírios, que disputam com os egípcios a primazia histórica de haverem alcançado o momento cultural denominado civilização. Ferrenhos cultores da força e da resistência física, desenvolveram denodadamente a sua formação guerreira através de um adestramento no uso do arco e flecha, na prática da equitação, na luta etc. O aspecto guerreiro evidenciava-se, principalmente, entre os assírios, considerados os povos mais sanguinários da Antiguidade Oriental. Muito evoluídos culturalmente - eram hábeis engenheiros, matemáticos e astrólogos , os seus reis entregavam-se apaixonadamente ao desenvolvimento de suas instituições militares. O aspecto guerreiro merece uma referência especial, incrementado que foi pela crescente sedentarizacão. Motivado por elementos espirituais, serviam também para avaliar o nível de assimilação do treinamento físico dos jovens, marcando profundamente a Educação Física oriental antiga. No Oriente Próximo foi o Egito que, sem dúvida, atingiu o mais alto grau de aperfeiçoamento no terreno esportivo. As imagens que nos deixaram registram corpos fortes e esculpidos dentro de padrões estéticos comparáveis aos dos gregos. Suas práticas esportivas eram bastante diversificadas, sendo evidente a importância não só da luta, já comentada, como também da natação, remo, atletismo etc., constituindo um verdadeiro sistema de Educação Física.

 A China talvez seja a possuidora da mais antiga história do esporte e, seguramente, foi a que mais influenciou a Educação Física no Extremo Oriente. Os chineses foram hábeis caçadores, lutadores, nadadores, praticantes de esgrima, do hipismo e de um esporte que hoje chamaríamos futebol (tsu-chu). Deste, há registros que remontam ao III século a.C, servindo inicialmente para comemorar os aniversários dos imperadores, para depois contagiar a população.

Antiguidade Oriental:
A civilização grega marca o início de um novo ciclo na História com o nascimento de um novo mundo civilizado, agora o ocidental. É o descobrimento do valor humano, da sua individualidade e o início autêntico da história da Educação Física. A filosofia pedagógica que determinou os caminhos a serem percorridos pela educação grega tem o grande mérito de não divorciar a Educação Física da intelectual e da espiritual. Postulava, dessa forma, o mais significativo de todos os princípios humanistas, considerando que o homem é somente humano enquanto completo. Apesar de não ter o mesmo peso em todo o decorrer da sua história, as atividades físicas sempre puderam ser consideradas como elemento característico na escalada cultural do povo helênico, em qualquer dos seus momentos.

 O primeiro desses momentos foi consignado pelos poemas de Homero (Ilíada e Odisséia). A educação desta fase (1200/800 a.C), embora não possuísse uma organização institucionalizada, presumia o ideal da sabedoria e da ação; aquela era representada por Ulisses, esta por Aquiles. A origem dos famosos Jogos Gregos - entre eles, os Olímpicos - está situada neste período e materializada nos "jogos fúnebres''. Entre estes destacam-se os que foram mandados celebrar por Aquiles em homenagem a seu amigo Pátroclo, morto por Heitor. Estes Jogos constaram de oito provas: corrida de carros, pugilato, luta, corrida a pé, combate armado, arremesso de bola de ferro, arco e flecha e arremesso de lança, demonstrando o ecletismo a que estavam submetidos os atletas-heróis nesse período.
 A par dos exercícios que levassem a um bom desempenho atlético da aristocracia guerreira, grande privilegiada dessa época, aprendiam também as artes musicais e a retórica. Em se tratando de tempos heróicos, a educação era marcadamente guerreira.    Tinha como traço essencial o mais alto ideal cavalheiresco e o desejo de ser sempre o melhor, que vieram a caracterizar o povo grego.

 O momento que se segue ao homérico é o chamado histórico (800/500 a.C), com a formação das cidades-estados. Dentre estas, Esparta e Atenas, representando o jogo de antagonismos ideológicos fadado a definir a evolução político histórica da Grécia Antiga.  
 Esparta, a cidade mais desenvolvida neste período, representa uma espécie de anti-humanismo grego. Os seus ideais totalitários levavam os cidadãos a um devotamento ao Estado e a uma subordinação absoluta à vontade dos superiores. A educação espartana pode ser analisada como um prolongamento da que existiu na época homérica. Perpetuava a formação cavalheiresca, militar e aristocrática, com um sensível desprezo pelo aspecto cultural, este tomado no seu sentido mais amplo. Estado guerreiro - todos deviam ser soldados - alimentava uma política de eugenismo que outorgava a uma comissão de anciãos o direito de condenar os nascidos raquíticos e disformes. Suas mulheres eram formadas robustas, enrijecidas moral e emocionalmente, prontas a cumprirem o seu papel de reproduzir espécimes perfeitos em nome do melhoramento da raça.
 Nessa época surgem os grandes Jogos Gregos, dos quais participava toda a comunidade helênica: Píticos, Nemeus, ístmicos e, especialmente, os Olímpicos, criados em 776 a.C, em homenagem a Zeus. Estes jogos eram festas populares e religiosas, que envolviam, além de competições atléticas, provas literárias e artísticas. Os gregos possuíam cidades que eram estados independentes. Somente três situações marcavam um espírito verdadeiramente nacional: a iminência de um perigo externo, a religião e estas formidáveis festas esportivas. Por ocasião da época da realização destas últimas, tudo parava - inclusive suas lutas internas - em nome da honra maior da participação esportiva. O estilo de educação adotado em Esparta levava os seus atletas a vencerem a maior parte das provas de que participavam, pelo menos nos primeiros séculos de sua história. Assim, de 720 a 576 a.C, dos oitenta e um vencedores olímpicos de que se tem registro, quarenta e seis são espartanos. Na prova de corrida de velocidade, dos trinta e seis campeões conhecidos, vinte e um têm a mesma origem.

A história da Educação Física em Atenas, neste período de formação histórica, é bastante significativa. Podemos constatar o lugar peculiar que a ginástica e o atletismo ocupavam, tal qual em Esparta. A educação ateniense não tinha, porém, o caráter eminentemente militar que caracterizou a vida espartana. Os atenienses, descendentes dos jônios, povos amantes da cultura, não tinham o espírito guerreiro que os seus irmãos espartanos herdaram de antepassados dórios. Por estas raízes, a prática esportiva em Atenas subsistirá como um meio de formação do homem total, não se prestando apenas como preparação para a guerra. É de Sólon, legislador ateniense do começo do século VI a.C, o conselho: "As crianças devem, antes de tudo, aprender a nadar e a ler".
 O modelo ateniense vem servir de paradigma para todo o mundo grego, à exceção óbvia de Esparta. Os seus locais para a prática esportiva, comparáveis aos de hoje, serviam não apenas à Educação Física como também para a formação intelectual do povo, salvo os escravos. Os ginásios, palestras e estádios possuíam grandes acomodações para o público, o que denota o interesse popular despertado pelo esporte. Um corpo docente, organizado e hierarquizado, conduzia administrativa e tecnicamente as atividades dos praticantes. O ginasiarca era a figura mais importante, sendo uma espécie de reitor da Educação Física e, quase sempre, da educação intelectual. Eleito pela comunidade, ele dirigia alguns dos ginásios e, em alguns lugares, todos os ginásios da cidade. O pedótriba corresponde ao que hoje chamamos de professor de Educação Física e estava equiparado em cultura e prestígio ao médico. Era também o responsável pela formação do caráter dos jovens efebos.
O período clássico ou humanista (500/338 a.C.) é o terceiro momento da história grega e marca o aparecimento dos primeiros grandes filósofos do mundo ocidental. Com a Filosofia, nasce também a Pedagogia, entendida de um modo mais sistemático e racional. A partir desse período, a Educação Física não ostenta o mesmo realce dos momentos que o antecederam, mas ainda aqui continua a merecer um destaque no plano educacional grego. Aristóteles também valorizava o papel da ginástica, dando lhe um cunho científico, quando diz que "a ciência da ginástica deve investigar quais exercícios são mais úteis ao corpo, segundo a constituição física de cada um".  Os exercícios físicos praticados pelos gregos tinham um caráter natural. Os seus esportes eram basicamente fundamentados no atletismo (correr, saltar e lançar) e realizados em total estado de nudez (ginástica significa a "arte de desenvolver o corpo nu"). Isto tudo sem o descuido dos aspectos fisiológicos que as atividades merecem e, principalmente, o cuidado estético que distinguia o homem grego. A concepção de educação era baseada na comunhão do corpo e do espírito, o que a tornava a mais humanista de todas.
Decadentes ao final do século V, em função de cisões e lutas internas que os enfraqueceram, os gregos deixaram-se dominar, inicialmente pelos macedônios (338 a.C.) e, posteriormente, pelos romanos (146 a.C).  Este interregno, que representa o último capítulo da história da Grécia Antiga, é chamado de helenístico. A educação dessa época valoriza cada vez mais o intelectual, com um crescente desinteresse do físico e do estético. O declínio da civilização grega fez-se refletir em todos os setores da sua cultura. A prática das atividades físicas vai perdendo todos os seus ideais humanistas que talvez tenham sido o mais belo exemplo já inscrito na história da Educação Física. Os atletas começaram a especializar-se prematuramente, contrariando os objetivos educativos, estéticos e de saúde que foram tão tenazmente perseguidos durante séculos. Surge a profissionalização e, com ela, a corrupção dos atletas e juizes, numa evidente traição aos princípios que haviam forjado a grandeza da civilização helênica.
Roma foi a herdeira direta de dois povos, os etruscos e os gregos. Dos etruscos, os romanos receberam influxos determinantes, principalmente no campo artístico e esportivo. Mas foi dos gregos a influência mais significativa, respeitadas as particularidades do homem romano. Este nunca se entregava às suas práticas por puro diletantismo. Impregnado por um realismo que o distinguiu na Antiguidade Clássica, todas as suas realizações culturais estavam marcadas por um espírito eminentemente utilitarista. O estímulo a realizações pessoais não se fez presente, dando lugar ao ideal coletivo que caracterizou o mundo romano.

 O local onde, originariamente, os romanos praticavam suas atividades físicas era o gigantesco Campo de Marte, que media 3 km de extensão por 1,5 km de largura, onde mais tarde foram construídas algumas das mais importantes instalações esportivas. Tão próximos e tão distantes dos gregos, era aí que os jovens romanos se reuniam e passavam por um adestramento capaz de habilitá-los para o cumprimento dos seus ideais expansionistas e do seu compromisso cívico. Apesar da escassa documentação sobre o início da história romana, sabemos que praticavam a equitação, corridas de velocidade e resistência, natação, pugilato, luta, arco e flecha e esgrima, entre outros.
Em Roma não vamos encontrar atividades que tenham a mesma expressão do esporte grego. Ludus tinha a conotação de treinamento ou de jogo, não implicando necessariamente competição. Os participantes desses jogos eram atletas profissionais que nem de longe podiam ser comparados aos padrões éticos e estéticos dos seus colegas gregos. A ginástica perdeu o sentido do belo, prestando-se apenas para formar um protótipo de virilidade. A aspiração humanista que animava o esporte grego jamais contagiou o cenário romano, mais identificado com os circos, anfiteatros e termas do que com os ginásios, palestras e estádios.

 A história da Educação Física em Roma pode ser contada à luz da análise das suas instalações esportivas, onde eram realizados os seus ludi. A mais antiga de todas foi o circo, concebido para a realização das corridas de carro - a grande paixão dos romanos -, além de corridas a pé e lutas. O mais antigo e amplo desses circos foi o Máximo, construído ainda no período monárquico (até 509 a.C.). Ali podiam ser acomodados 385 000 espectadores.
O anfiteatro tem suas origens já no final do período republicano (509/27 a.C.) e foi idealizado para abrigar festas religiosas e populares. O mais famoso dentre eles foi o Coliseu, comportando mais de 100 000 pessoas.
Os romanos, já sob a influência grega, também edificaram os seus estádios. Estes, que foram o principal cenário dos Jogos Olímpicos, não desfrutaram a mesma grandeza em terras romanas. Na verdade foram conhecidos juntamente com a introdução do esporte helênico em Roma (186 a.C.) e estavam destinados às competições atléticas e às lutas. Os romanos copiaram, porém, um modelo já decadente, sendo levados a uma prática deformada. Não perceberam que a grandeza do esporte não estava na sua simples prática, mas sim no espírito que a animava.
 Cabe ainda uma referência especial às termas, as instalações mais importantes da época imperial, que serviam para preencher a ociosidade provocada pelo enriquecimento das conquistas. No começo da era cristã, o número de termas girava em torno de oitocentos, algumas capazes de receber milhares de pessoas simultaneamente. Luxuosíssimas, essas casas de banho não mais cumpriam suas finalidades higiênicas e simbolizavam o   relaxamento dos costumes que caracterizou o declínio do imperialismo romano. A moral romana, que havia repudiado a nudez do atleta grego, permitia, agora, a frequência até de suas crianças nas termas, em lugar dos ginásios gregos.
 Em meio a essa catástrofe pedagógica, existem aqueles que, em nenhum momento, perderam a lucidez, conseguindo cultivar o espírito humanista da educação grega, é o caso de Juvenal, poeta satírico romano do século II d.C. que, reencarnando concepções platônicas, rogou: "ê preciso pedir aos céus a saúde da alma com a saúde do corpo".
A Idade Média tem início com a divisão do Império Romano por Teodósio I - o mesmo que, dois anos antes, abolira os Jogos Olímpicos - ou, para outros, com a queda do citado Império no seu lado ocidental. A época medieval teve duração milenária, somente terminando com a queda da capital oriental. Nesses idos vemos a Igreja como a única instituição que resistiu e, mais ainda, fortificou-se após as invasões bárbaras. Afogado em crenças e dogmas religiosos, surge um homem que só era encorajado à conquista da vida celestial. O total descaso pelas coisas materiais estabelecia um absoluto divórcio entre o físico e o intelectual. Como se num agravo a Juvenal, só convinha a saúde da alma, onde o "nada para o corpo" era um princípio que suprimia a Educação Física do  horizonte cultural  desse  momento histórico. Pode-se analisar a época medieval submetendo-a didaticamente a uma divisão em dois períodos. O primeiro deles (Alta Idade Média) vai até o século X e foi marcado por um grande obscurantismo cultural, fruto da decadência romana e das invasões dos povos bárbaros. O segundo (Baixa Idade Média) começa no século XI e estende-se até o décimo quinto século da era cristã. Este último período não justifica o rótulo de "idade das trevas" com que muitos indiscriminadamente observam a idade medieval. A partir do século XI aparecem grandes personalidades como Roger Bacon, Dante Alighieri e São Tomás de Aquino. Este foi o mais influente dos pensadores de um tipo de vida intelectual que predominou entre os séculos XI e XV. O movimento escolástico muito contribuiu para a criação das Universidades no século XIII e, juntamente com elas, preludiou o Renascimento.
Para que se possa entender a cultura medieval - inclusive as suas restrições no âmbito pedagógico - é necessário considerar o feudalismo, um sistema político-social-econômico gestado no século IX, germe do capitalismo.   O regime feudal dava o direito de governar a quem possuísse terras que, por sua vez, geravam "empregos" denominados feudos. Escravizados à terra, fonte de toda a riqueza, os servos eram os únicos que trabalhavam na sociedade feudal, produzindo para as classes dominantes o clero e a nobreza. Foi um período em que pouco se fez para o ser humano, enquanto pessoa. Oprimidos e explorados, os servos representavam muito pouco para os seus senhores, haja vista que um camponês, muitas vezes, tinha menos valor do que um cavalo.
Vem da época medieval, com o monopólio educacional exercido pela Igreja, o tradicional conceito de educação como disciplina. A Educação Física, apesar de não merecer um destaque especial, recebeu uma atenção cuidadosa na preparação dos cavaleiros.  A Cavalaria era uma instituição militar destinada a uma minoria, quase sempre aristocrática, visando o fiel cumprimento de proteção aos proprietários de terra. Os cavaleiros recebiam um treinamento onde o xadrez era a única prática intelectual, havendo muitos deles que não sabiam ler nem escrever.  Eram muito hábeis na equitação, caça, esgrima, lança e arco e flecha.  Os torneios e as justas representam a culminância dos exercícios físicos dos cavaleiros medievais e serviam, nos tempos de paz, como preparação para a guerra. O homem medieval, que havia abominado os espetáculos do circo e do anfiteatro, assistia agora àqueles combates simulados, cujos desfechos eram quase sempre trágicos.
O Renascimento foi um movimento intelectual, estético e social que representou uma reação à decadente estrutura feudal do início do século XIV. Representou uma nova concepção do mundo e do homem, havendo um redescobrimento da individualidade, do espírito crítico e da liberdade no ser humano. O reconhecimento desses traços de individualidade devolveu à criatura humana o papel de protagonista: é o antropocentrismo, em oposição ao teocentrismo medieval. Inspirado nas obras da Antiguidade Clássica, esse humanismo renascente voltou a valorizar o belo, resgatando a importância do corpo. A Educação Física torna a ser assunto dos intelectuais, numa tentativa de reintegração do físico e do estético às preocupações educacionais.
Um sem-número de pensadores renascentistas dedicou suas reflexões à importância dos exercícios físicos. Da Vinci escreveu Estudo dos movimentos dos músculos e articulações, um dos primeiros tratados de biomecânica que o mundo conheceu. Rabelais defende práticas naturais para a educação e, por isto, os jogos e os esportes deviam ser explorados. Montaigne exaltava a importância da atividade esportiva, quando defendia que não só a alma deve ser enrijecida, mas também o corpo. Francis Bacon defendia a execução de exercícios naturais, havendo estudado a manutenção orgânica e o desenvolvimento físico pelo aspecto filosófico.
Todos foram precursores de uma nova tendência e avalizaram a inclusão da ginástica, jogos e esportes nas escolas. Suas ideias fertilizaram o campo onde, na segunda metade do século XVIII, foram fundamentados os alicerces da Educação Física escolar.
Entre os pensadores que, numa fase pós-renascentista, influenciaram a Educação e, consequentemente, a Educação Física, não podemos deixar de fazer uma referência especial a Locke e a Rousseau. O antagonismo de suas ideias marcou um cotejo que acompanha o pensamento educacional até a atual idade.
Locke foi o grande representante de uma teoria que formulava um conceito disciplinar de educação. Em contrapartida, Rousseau seria o líder de uma tendência naturalista para o terreno pedagógico. Para Locke, a educação utilizaria a repressão e a disciplina das tendências naturais, tendo como objetivo principal a formação do caráter. Rousseau, por sua vez, não acreditava que a educação tivesse como objetivo principal instruir, reprimir ou modelar o ser humano. Referindo-se à sua personagem Emílio, afirma que, ao final, ele não seria um soldado, um sacerdote, nem um magistrado: seria antes de mais nada um homem. Ambos deram destaque à Educação Física como elemento da Educação. Locke dispensa-lhe uma orientação médica, aconselhando que as crianças sejam sujeitas a um regime de vida bastante rigoroso, condição essencial para a manutenção da saúde. Rousseau, assim como Locke, dedicou especial atenção aos exercícios físicos para as crianças. Sua teoria evidenciava os aspectos benéficos da vida do campo e ao ar livre, com a prática de jogos, esportes e ginástica natural.

 A Idade Moderna continuou o seu caminho, trilhado ao longo dos 200 anos que separaram o Renascimento dos tempos contemporâneos. É no século XVIII onde podemos encontrar os reais precursores de uma Educação Física que iria se firmar no horizonte pedagógico do século seguinte. Basedow fundou (1774) na Alemanha o primeiro estabelecimento escolar - desde a Grécia Clássica - com um currículo onde a ginástica e as disciplinas intelectuais tinham o mesmo peso. Oriundo da escola de Basedow e também imbuído do mesmo espírito humanista de inspiração rousseauísta, Salzmann funda (1784), também na Alemanha, outra escola que reconheceu valores pedagógicos nos exercícios físicos. Também influenciado por Rousseau e considerado o fundador da escola primária popular, vislumbramos a figura de Pestalozzi. Interessou-se por Educação Física, chegando a fazer incursões até mesmo no campo da metodologia. Pestalozzi orientou a ginástica por parâmetros médicos, objetivando correções de postura.

Quanto ganha um profissional de Educação Física?

O sedentarismo é um fator prejudicial à saúde integral dos seres humanos, mas realizar atividades físicas sem supervisão pode ser ainda pior e acarretar uma série de males, como traumas, lesões, muitas dores e desconforto. Indispensável quando pensamos em promoção de saúde, é que o profissional de educação física é o responsável por planejar, coordenar e avaliar programas de atividades físicas, esportes e recreação.

Segundo o Sistema Nacional de Empregos (SINE), um profissional da área ganha de R$ 1.300 a R$ 2.200 mensais, no início da carreira. Ao longo da atividade, com oito ou mais anos de trabalho, ele pode ganhar de R$ 2.600 a R$ 4.300.

Dados do Conselho Regional de Educação Física (CREF) da Primeira Região (Espírito Santo e Rio de Janeiro) apontam que o piso salarial é de R$ 2.432,72 mensais (um dos maiores do país), pela jornada de trabalho de 40 horas semanais.

Com o crescimento da área do fitness nesses últimos anos, sobretudo pela busca por serviços de atendimento personalizado (personal trainer), a renda média do profissional de educação física cresceu exponencialmente.

Bacharelado em Educação Física


A regulamentação do MEC determina que o bacharelado em Educação Física deve ter um mínimo de 3.200 horas/aula e sua conclusão deve ser feita em, pelo menos, quatro anos.

Apto a atuar em clubes, academias, spas, hotéis, resorts e outras instituições não escolares, o bacharel em Educação Física encontra oportunidades em um mercado mais amplo. Com funções que vão de planejar, organizar, desenvolver, supervisionar e até ministrar, em instituições não escolares, atividades físicas, recreativas e esportivas, esse profissional também pode prescrever atividades físicas e treinamento para grupos ou times esportivos e pessoas com doenças crônicas degenerativas, além de atuar como treinador pessoal (personal trainer).

O turismo ecológico e de aventura é também uma alternativa para o bacharel em Educação Física, que pode ainda trabalhar em grandes empresas que contam com programas de saúde e qualidade de vida.


Atuação do profissional

Quem deseja cursar educação física possui duas opções de formação: bacharelado e licenciatura. Na primeira opção, o profissional pode trabalhar em academias, clubes e em empresas. Com a licenciatura, pode dar aulas em escolas. Com um grande leque de opções no mercado de trabalho, a remuneração do profissional de educação física pode variar.

Como essa profissão envolve continuamente o contato com pessoas, é importante que esse profissional tenha facilidade em lidar com o público e paute a sua intervenção sempre pela ética profissional.

Quem prefere trabalhar em academia pode se especializar em diversas áreas, como: aquática, musculação, esportes, desenvolvimento motor ou ginástica. Um profissional de educação física que trabalha em academia pode chegar a ganhar até R$ 5 mil pode mês.

Além da contratação direta com academias, tem-se popularizado a atividade de personal trainers, para os quais a média salarial varia de acordo com a região – de R$ 50,00 a R$ 200,00 a hora/aula. A média nacional para esse profissional é de R$ 1.800,00 por cliente, mas muitos cobram por aula, sem manter um valor mensal estabelecido. Um personal trainer com boa clientela pode chegar a ter rendimentos acima dos R$ 15.000,00.

Já na área corporativa, há hoje uma procura por profissionais de educação física para o ensino da ginástica laboral. Nessa atividade, o profissional ganha, em média, R$ 3.000,00.


Piso salarial em Educação Física

Como não há um piso salarial regulamentado nacionalmente, a remuneração de profissionais de educação física varia de R$ 1.800,00 até R$ 3.000,00. Contudo, está em tramitação no congresso o Projeto de Lei 7006/2013, acrescido do Projeto 618/2015, que estabelece o salário mínimo de R$ 4.500,00 para profissionais de educação física, com uma jornada de 30 horas semanais e reajuste anual.

Vale ressaltar que a atividade laboral desse profissional é muito dinâmica, tendo ele a possibilidade de desenvolver, ao longo da jornada diária de trabalho, diferentes atividades, com remunerações distintas o que torna essa profissão muito atrativa do ponto de vista do retorno financeiro.

O que é bacharelado em Educação Física?



Entenda a diferença entre licenciatura e bacharelado em educação física

Se você está pensando em cursar Educação Física para atuar como motivador de práticas esportivas e atividades físicas, tanto por questões de saúde quanto de estética, então, o bacharelado em Educação Física pode ser o caminho ideal.

A constante preocupação com a qualidade de vida tem levado cada vez mais pessoas a praticarem atividades físicas. Isso fez com que o mercado de trabalho para profissionais de educação física ficasse aquecido e até gerasse novas oportunidades e novos campos de atuação.

O bacharelado em Educação Física, então, apresenta-se como uma graduação que é capaz de formar profissionais para atuar exatamente nesses mercados, propondo atividades físicas de forma a melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Caso o seu talento esteja nessa área, não deixe de acompanhar este texto e sanar todas as suas dúvidas sobre a graduação de Educação Física e a formação de bacharelado.


Bacharelado em Educação Física

O curso de bacharelado em Educação Física tem a duração média de quatro anos. Seu objetivo é capacitar, tanto na teoria quanto na prática, profissionais a atuarem nas diferentes áreas do treinamento desportivo e da atividade física. Alguns locais de trabalho podem ser: academia, recreação, clubes esportivos, entre outros. O foco desse profissional será sempre manter a saúde, bem-estar e qualidade de vida de seus clientes.

Diferentemente da licenciatura, que serve para alunos que querem apenas dar aulas de educação física em escolas, o bacharelado é focado em oferecer, aos graduados, a oportunidade de exercer as mais diversas funções no mercado de trabalho.

A grade curricular desse curso privilegia a prática desde o início. Assim, oferece conteúdos relacionados a esporte e atividades físicas tanto de forma teórica quanto nos procedimentos para serem praticados. A estrutura acadêmica integra teoria e prática da melhor forma, bem como combina conhecimentos de saúde, ciências, esportes e humanas para formar um profissional capacitado a atuar nos mais diversos empreendimentos esportivos, recreativos e de atividades físicas, sempre respeitando diversidades sociais, econômicas, culturais de pessoas, incluindo o atendimento a portadoras de necessidades especiais.

Com foco na saúde corporal, as aulas tomam forma, tanto em salas de aulas como em laboratórios e espaços físicos feitos para a prática do dia a dia do profissional. Abaixo, uma lista com as disciplinas aprovadas pelo MEC, que fazem parte das instituições de ensino que possuem o curso de Educação Física com formação de bacharelado.


Anatomia;

Atividades Complementares;

Atividades Físicas para Grupos Especiais (doenças metabólicas e envelhecimento);

Atividades Motoras e Esportes Adaptados;

Bioestatística;

Biologia Geral;

Biomecânica;

Bioquímica Aplicada ao Exercício Físico;

Cinesiologia;

Competências Profissionais;

Crescimento, Desenvolvimento Humano e Aprendizagem Motora;

Desenvolvimento Pessoal e Profissional;

Didática;

Direito e Legislação;

Educação Física e Qualidade de Vida;

Educação Física na Infância e Adolescência;

Esportes de Aventura;

Estágio Supervisionado;

Estrutura e Organização da Educação Brasileira;

Ética e Relações Humanas no Trabalho;

Fisiologia do Exercício;

Fisiologia;

Fundamentos Didático-Pedagógicos do Esporte;

Ginástica de Academia;

Ginástica Geral;

História e Organização da Educação Física e do Desporto;

Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e Inclusão;

Métodos e Técnicas de Avaliação em Educação Física;

Musculação;

Necessidades Educativas Especiais;

Núcleo de Práticas da Educação Física e do Desporto;

Núcleo de Práticas Desportivas;

Núcleo de Práticas Pedagógicas;

Nutrição;

Planejamento e Marketing Esportivo;

Primeiros Socorros;

Psicologia do Esporte;

Recreação e Lazer;

Responsabilidade Social e Meio Ambiente;

Teoria e Prática de Danças e Ritmos;

Teoria e Prática de Esportes;

Teorias da Aprendizagem;

Treinamento Esportivo.


Nos últimos anos do curso, o aluno terá a oportunidade de realizar estágios para colocar em prática seus conhecimentos, familiarizar-se com atividades do dia a dia desse profissional e ainda ficar mais próximo de oportunidades no mercado de trabalho. E, como última etapa, antes da formatura, o aluno deverá realizar um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Perfil profissional do bacharel em Educação Física

O profissional bacharel em Educação Física deverá gostar de lidar com pessoas e de praticar atividades físicas. Isso porque sua principal atividade está ligada a oferecer auxílios, aulas, exercícios e motivação para pessoas que desejam ou precisam de atividades físicas para manter qualidade de vida e saúde em dia.

Assim, além de rigor científico, conduta propositiva e muita ética e respeito por diferenças e minorias, seu perfil deverá ter características pontuais como autonomia, criatividade, pró-atividade, liderança e espírito de grupo.


Áreas de atuação

O bacharel poderá atuar em todos os níveis e formas de programas que envolvam atividades físicas. Isso inclui atividades de planejamento, organização, preparação e execução. Esse profissional também terá habilidades para atuar em prescrição e controle do treinamento de modalidades desportivas e de lutas.

Seus locais de trabalho diferenciam-se de acordo com seu papel e suas atividades estipuladas. Porém, no geral, abrangem academias, clubes de esportes e lutas, hotéis que possuem grupos de recreação e até como personal trainer ou autônomo trabalhando em domicílio. Abaixo, para maiores detalhes, separamos uma lista dos principais campos de atuação do bacharel em Educação Física.

Condicionamento físico: atua na realização de exercícios como personal trainer. Pode atender tanto indivíduos como grupos. O local de trabalho varia conforme a necessidade e a vontade do profissional, como: clubes, academias, hotéis e até domicílios.

Grupos especiais: atua no planejamento de atividades físicas voltadas para grupos ou pessoas com necessidades especiais.

Recreação: atua com entretenimento para hóspedes em hotéis, spas, condomínios, clubes e até navios. O profissional deverá ter criatividade e pró-atividade para criar diversas atividades que unam pessoas, divirtam a todos e, ainda, contemplem as áreas da saúde e dos esportes. 

Terceiro setor: atua em projetos sociais de inclusão esportiva.

Performance: atua no treinamento individual ou de equipes focando-se em modalidades esportivas competitivas.

Conforme visto, a principal diferença entre o bacharelado e a licenciatura é que apenas o bacharel está apto a atuar em todas as áreas descritas acima. Já o formado em licenciatura é aquele que pretende trabalhar apenas como professor, focado na educação básica. Se, ainda assim, o profissional bacharel tem o desejo de dar aulas, além de trabalhar no mercado de trabalho específico desse ramo, ele o poderá fazê-lo com um diploma de pós-graduação.